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Cultura Popular e Teatro, uma mistura que dá certo!

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"A Cia Burlesca bebe muito na fonte da cultura popular porque pra gente, antes de tudo, o teatro precisa ser popular, do povo." - Foto: Diogo Noventa
A cultura popular cria em nossas mentes e corações sentimento de pertença ao nosso lugar

“São João, meu São João

Eu vim pagar a promessa

De trazer esse boizinho

Para alegrar sua festa

Olhos de papel de seda

Com uma estrela na testa”

Papete

Para fazer uma boa canjica, ou mungunzá para os que assim preferem chamar, é preciso deixar os grãos de molho no dia anterior, usar um leite fresquinho, adicionar coco natural e amendoim bem torradinho. A receita é aparentemente simples, mas canjica boa de verdade é aquela que tem gosto de tradição. É comum termos nas famílias a pessoa que sabe fazer aquela canjica maravilhosa! Isso é conhecimento popular, é tradição, é cultura!

Junho tem religiosidades, cores, sabores, sons, danças e brincadeiras do São João! É o festejo tradicional, que mesmo já um tanto tomado pela indústria cultural, se mantém firme na festinha da rua, da escola, da igreja, do bairro, do trabalho. Um movimento coletivo de amarrar bandeirinhas, ensaiar passos de quadrilha e fazer listas de “quem leva o que” se inicia em todos os cantos do Brasil. E sim, é nosso papel manter essa tradição viva. Porque a cultura popular cria em nossas mentes e corações sentimento de pertença ao nosso lugar, ao nosso território. Fortalece a identidade brasileira.

A Cia Burlesca bebe muito na fonte da cultura popular porque pra gente, antes de tudo, o teatro precisa ser popular, do povo.

Precisa estar conectado diretamente com a vida das pessoas. Precisa fazer sentido e alimentar sonhos coletivos de mundos melhores possíveis e palpáveis. Nos interessa trazer pro centro da cena o cotidiano, para a partir dele construírmos coletivamente reflexões, questionamentos, olhares críticos.

Os ritmos, as indumentárias, os textos e as formas de fazer das manifestações culturais populares muito nos ensinam sobre um diálogo direto, honesto, concreto e pedagógico com o público. Nos barracões, roçados, quadras, ruas o povo se organiza para produzir alegria. É uma insistência revolucionária de celebrar a vida mesmo diante de injustiças e desigualdades. E essa metodologia da coragem inspira muito os processos criativos da Cia Burlesca. Paulo Freire diz que:

A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca.

A alegria é construída a muitas mãos nos festejos populares. E é um sentimento potente que impulsiona a vida. Sem alegria o viver se torna automático, vazio e entristecido.

Um grande salve ao povo brincante brasileiro!

Viva São João e vida longa aos festejos juninos!

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*A Cia Burlesca é uma companhia de teatro político do Distrito Federal.

**Este é um artigo de opinião. A visão da autora não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato DF.

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Edição: Flávia Quirino