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Cine Brasília exibe documentário que conta organização política do Movimento LGBTQIA+ no Brasil

Estreia será nesta terça-feira (20), às 20h, seguida de roda de conversa sobre a obra

Brasil de Fato | Brasília (DF) |
Longa-metragem que traz a visão de ativistas das décadas de 1970 e 1980, que ajudaram a construir o movimento LGBTQIA+ no Brasil - Reprodução

Chamado de “Quando ousamos existir – Uma história do Movimento LGBTI+ brasileiro”, o longa-metragem que traz a visão de ativistas das décadas de 70 e 80, sobre as trajetórias históricas deste movimento, será exibido na quarta-feira-feira (20), às 20h, na Cine Brasília. Após a exibição, terá uma roda de conversas com os diretores do filme e ativistas do Distrito Federal.
 
O evento de estreia é uma realização do Centro Brasiliense de Direitos Humanos (CENTRODH), e integra a programação de atividades realizadas pelo projeto Parada do Orgulho LGBTS de Taguatinga, da 15ª parada do Orgulho LGBTS de Taguatinga, executado por meio do Termo de Parceria entre a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal e a Cooperativa Central Base de Apoio do Sistema Ecosol no Distrito Federal - Base Brasília, em colaboração com o Centro João Antônio Mascarenhas, com a Universidade Federal de Pelotas, a Universidade Federal do Rio Grande, Universidade Federal do Espírito Santo e do Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBTI+ do Rio de Janeiro, além de contar com apoio da Cine Brasília, @Abiocinza e parceria cultural com a Aliança Nacional LGBTI+.
 
Com roteiro e direção de Cláudio Nascimento e Marcio Caetano, o documentário “Quando Ousamos Existir” aborda, através de entrevistas, as trajetórias históricas do Movimento Social LGBTI+, desde sua emergência em plena ditadura militar até a participação nos debates da Constituinte, passando pelos anos iniciais da epidemia de Aids e das lutas contra a patologização da homossexualidade. Por meio das narrativas de ativistas, revive-se a intensa luta político-cultural pela liberação e afirmação homossexual no Brasil até as primeiras ações de promoção da cidadania. Em mais de 40 anos, o movimento homossexual tornou-se LGBTI+, e suas transformações acompanharam e contribuíram para importantes mudanças na sociedade e na atuação do Estado brasileiro em defesa da democracia cidadã.

A expectativa de Cláudio Nascimento é que a exibição do filme contribua para que a comunidade Lgbti+ conheça sua história de resiliência, resistências, lutas e conquistas. “É um momento especial, de alegria, de ver o trabalho de realização do primeiro documentário sobre a história do Movimento Lgbti Brasileiro. É mais que uma história, é uma ode a luta e que só chegamos até aqui no Brasil por que muitas pessoas antes de nós, já estavam lá empunhando a bandeira da liberdade e igualdade de direitos. Nossa ancestralidade Lgbti+ brasileira é potente e inspiradora”.

"O filme originou-se de uma preocupação com a invisibilidade das trajetórias do Movimento lgbti+ nas lutas políticas pela democracia no Brasil, em especial nos tempos da ditadura cívico-militar e abertura política. Foi assim que juntamos esforços e recursos pessoais para percorrermos o Brasil, ouvindo relatos de experiências valiosas das histórias políticas do movimento. Estamos muito felizes em poder oferecer humildemente esse trabalho para a comunidade lgbti+  e para a sociedade brasileira”, explica o professor Márcio Caetano, doutor na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), ativista dos direitos humanos e civis da população LGBTI+,  co-coordenador do Centro de Memórias João Antônio Mascarenhas .

Segundo Michel Platini, ativista LGBTI+ e Coordenador Geral da Parada do Orgulho LGBTI+ de Taguatinga e presidente do CENTRODH,  o documentário é o retrato que a sociedade precisa relembrar. “Para não repetir as mesmas violências e violações que a população LGBTI+ foi submetida nos períodos mais duros e longos da humanidade. Os exemplos de vida e caminhada da primeira geração do movimento LGBTI+ nos convoca a continuar na luta por um país livre da LGBTIfobia e do ódio”.

Gravado entre 2017 e 2019, com ativistas que atuaram nos estados do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Pernambuco, Bahia, São Paulo, Sergipe e Ceará, nas décadas de 1970 e 1980, a equipe desafiou a extensão territorial brasileira para reencontrar algumas das pessoas que fundaram o movimento LGBTI+ brasileiro. Entre idas e vindas pelas estradas desse imenso país, reencontraram-se algumas das memórias em defesa da democracia e cidadania LGBTI+.
 
“Quando ousamos existir” mostra uma fotografia de ativistas brasileiros no cenário LGBTI+ do Brasil, num período histórico de mais de 40 anos. Entre os inúmeros entrevistados, todas as pessoas ativistas, como por exemplo João W. Nery, o primeiro homem trans a realizar a cirurgia de redesignação sexual no Brasil, em 1977, ativista pelos direitos LGBTI+, falecido em 2018; Rita Colaço, advogada, pesquisadora e ativista do Movimento LGBTI+ do Rio de Janeiro desde 1978 até o momento, Jorge Caê Rodrigues, professor do IFRJ, participou em 1980 do I Encontro Brasileiro de Homossexuais em São Paulo e atuou no Rio de Janeiro no Grupo Somos e depois foi para o Grupo Auê de Afirmação Homossexual, no início dos anos 80,   Regina Fachinni, ativista de direitos humanos, pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu (Unicamp); Marcely Malta, coordenadora da ONG Igualdade - RS, travesti militante do Movimento Trans e de Direitos Humanos de Porto Alegre até Paulo Fatal, que integrou o Grupo Triângulo Rosa do Rio de Janeiro e um dos primeiros ativistas a se posicionar pelo enfrentamento à epidemia de HIV nos anos de 1980. 

O filme ainda traz João Silvério Trevisan, escritor e um dos ativistas fundadores do Grupo Somos de São Paulo, criado em 1978, juntamente com o escritor e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Edward MacRae, e o professor da Universidade de Brown, James Green. A enfermeira e atual presidente da Associação da Parada de São Paulo, Cláudia Regina, que foi participante em 1979 do Grupo Somos e Marisa Fernandes, que além do Somos fundou juntamente com outras lésbicas o Grupo de Ação Lésbica Feminista. Jovanna Cardoso, atual presidente do Fonatrans, o Fórum Nacional de Pessoas Trans Negras, que iniciou a organização do movimento de pessoas trans no fim dos anos 70 e Luiz Mott, professor da UFBA e fundador do Grupo Gay da Bahia, em 1980, são os outras das lideranças entrevistadas no documentário.
 
A produção é uma iniciativa universitária e ativista, sem fins lucrativos e a realização é do Centro de Memória João Antônio Mascarenhas, vinculado à Universidade Federal de Pelotas, Universidade Federal do Rio Grande, Universidade Federal do Espírito Santo e Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBTI+ do Rio de Janeiro.

 
Serviço
Exibição do documentário e roda de conversa com seus diretores e pessoas ativistas convidadas.
Data: 20/12 (terça-feira) às 20h
Local: Cine Brasília - SHCS EQS 106/107 - Brasília, DF

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Edição: Flávia Quirino