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Cinema Nacional

Filme "Amado" pré-estreia em Brasília nesta terça (31)

Inspirado em história real e gravado em Ceilândia, a obra debate temas atuais como a violência institucional

Brasil de Fato | Brasília (DF) |
"Amado" é baseado em história real e estreia nos cinemas de todo o país no dia 9 de junho - Foto: Divulgação

A pré-estreia do longa-metragem “Amado” será realizada nesta terça-feira, 31, em Brasília. O filme dirigido pelos cineastas Edu Felistoque (Cracolândia, série de TV Bipolar) e Erik de Castro (Federal), conta a história de um policial militar que trabalha no Sol Nascente, em Ceilândia, maior região administrativa do Distrito Federal.

Além de Brasília, as pré-estreias também acontecem em São Paulo nesta segunda, 30, e no Rio de Janeiro na quarta-feira, dia 1º de junho. As sessões são abertas ao público e após a exibição do filme tem roda de conversa com a equipe e elenco.

Na capital do país, a pré-estreia acontece às 21 horas, no Espaço Itaú de Cinema, localizado no Casa Park. Haverá a participação especial dos jovens do Programa Jovem de Expressão e do rapper Japão do Grupo Viela 17, que também participa do filme. No Rio de Janeiro, para representar a equipe do projeto, estará presente Marina Patury, que também assina como diretora de arte da obra.

"O filme narra a vida  profissional e pessoal de Amado. A trama se desenvolve em torno dessa relação pessoal e da forma que ele vai ter que lidar em um caso que vai se tornando complexo por envolver policiais corruptos e uma gangue de traficantes da região", explica o diretor, Erik de Castro.

O diretor Edu Felistoque complementa que a grande pergunta do filme é o que fazer no lugar de Amado. "A lei é uma ferramenta da justiça e não funciona. Ele prende toda vez a mesma pessoa. E ainda lida com a milícia dentro do quartel. Então ele se pergunta: Como é que vou fazer? Será que não é o caso de encurtar o caminho?".

A estreia do filme nas salas de cinema de todo o país acontece no dia 9 de junho. O longa-metragem é protagonizado pelo ator Sérgio Menezes.

“Sérgio caiu como uma luva no personagem. O trabalho dele literalmente explode na tela por dar a dimensão emotiva e sensível e ao mesmo tempo possuir a fisicalidade que o personagem exigia", aponta um dos diretores Erik de Castro.


Sérgio Menezes interpreta o personagem Cabo Amado / Foto: Divulgação

O elenco inclui também Adriana Lessa, Alexandre Barillari, Igor Cotrim, Brenda Ligia, Neco Vila Lobos, Sérgio Cavalcanti, Abaetê Queiroz, Gabriela Correa, e ainda, jovens participantes do programa Jovem de Expressão, que é realizado na Praça do Cidadão, em Ceilândia. 

Da Ceilândia

A maioria do elenco do filme é composta por artistas do Distrito Federal. Para a  escolha, não houve testes. Todos foram escolhidos pelos diretores que à medida que mergulhavam na cidade de Ceilândia em busca de locações, também conheciam a comunidade e a arte local. Em uma oportunidade, assistiram a peça teatral amadora do Programa Jovem de Expressão e dali foram escolhidos alguns artistas, técnicos e também um cinegrafista.

"Contratamos essa galera como profissionais, não como estagiários. Embora o teatro tenha sido amador, nós o chamamos para o filme como profissionais. Não só na direção de arte, mas no figurino, na produção, na câmera. O Ricardo Soares, o Palito, fez uma câmera valendo mesmo. Não foi teste", diz Edu.

Experiência profissional 

O filme oportunizou aos jovens a terem contato com a sétima arte e a construírem currículo. Além disso, é uma obra que debate temas vivenciados por moradores do local.


Japão do Viela 17 em cena do filme Amado / Foto: Divulgação

Para Japão do grupo de rap ceilandense, Viela 17, não foi diferente. "Além de participar do filme que para mim já foi uma satisfação, entender o roteiro me deixou fascinado. Trata-se de uma Ceilândia real com um tema atual e pertinente. A direção do filme é assinada por dois caras fascinantes, Edu e Erik, que me fizeram entender o conceito e me consultaram sobre a cidade mostrando respeito. Já participei de documentários, mas, de um filme, foi a primeira vez. Isso me causou uma alegria e a vontade de estudar mais ainda para prováveis desafios em filmes", revela Japão.

Para Wdson Pereira, o WD, a oportunidade chegou quando a equipe do filme estava buscando locações para a gravação.

"Mostrei alguns lugares para eles. Conheceram o Jovem de Expressão  e as produções que já estávamos fazendo. Gostaram e nos incluíram. Trabalhei como produtor de set e eles me chamaram também para atuar. A experiência foi maravilhosa. Foi a primeira vez que participei de um longa metragem e entrei em um set de filmagem. Fiquei muito curioso. Perguntei muitas coisas. Troquei muitas informações e trouxe tudo para os meus colegas de estudo no Programa Jovem de Expressão", diz Wd, Wdson Pereira.

Mesmo inseguro por nunca ter atuado como assistente de câmera em um longa-metragem, Ricardo Soares, o Palito, aceitou o convite.


Palito atuou como assistente de câmera / Foto: Lucci Antunes

"De início, eles me chamaram para fazer o making off, porém o filme iniciou as gravações dias antes de iniciar o isolamento social no Distrito Federal. Com o decreto do fechamento das atividades, a equipe, que era em maioria de São Paulo, foi embora. No retorno das gravações, a equipe não pôde voltar por completo, e então, fui convidado a ser o segundo assistente de câmera. Até pensei em não aceitar porque nunca tinha desempenhado essa função. Acrescentou muito na minha experiência profissional e pessoal. Aprendi muito. A produção e filmagem de um filme de ação é muito interessante porque os recursos de, por exemplo, um carro explodir tem toda uma técnica que quem está do outro lado não vê", conta Palito.

Debates na sociedade 

Para além do entretenimento que um filme de ação policial causa ao telespectador, a obra propõe debates que já estão instaurados na sociedade. Edu Felistoque e Erik de Castro pontuam que é importante trazer para o diálogo as causas e efeitos da violência na instituição policial e os exageros cometidos por eles, como também o julgamento a todos os policiais pelas condutas inadequadas de parcela deles.


Atuação das policias é um dos temas abordados no filme / Foto: Divulgação

O filme também aborda temas como tráfico de drogas e a ausência de políticas públicas em áreas mais empobrecidas nas grandes cidades.

"Nós mesmos produzimos os nossos criminosos porque não há garantias de vida e dignidade. São raras as possibilidades de sustento, e a assistência social não chega a toda a população. O que resta para essas pessoas? É preciso ir à base do problema. Pensar nas condições para todos de acordo com a nossa Constituição, e reconhecer que ela está sendo quebrada a décadas", destaca Edu.

Como assistir as pré-estreias

São Paulo: segunda-feira, 30 de maio, 21 horas, Espaço Itaú de Cinema Frei Caneca

Brasília: terça-feira, 31 de maio, às 21h, Espaço Itaú de Cinema Brasília

Rio de Janeiro: quarta-feira, 1º de junho, às 21h, Espaço Itaú de Cinema Botafogo

Para participar é necessário enviar solicitação do ingresso por e-mail para [email protected] No assunto do e-mail deve conter: “Vou na pré  do AMADO SP”, “Vou na pré  do AMADO BSB”, ou “Vou na pré do AMADO RJ”. O convite é válido para duas pessoas. Sujeito à lotação da sala.

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Edição: Flávia Quirino